Economia

Em 10 anos, inflação dos alimentos é quase o dobro da geral em Santa Maria

Juliana Gelatti

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A inflação não é um fenômeno novo na história econômica do brasileiro. Quem tem mais de 35 anos lembra bem dos tempos da hiperinflação, que chegava a dois dígitos mensalmente. Mas, após o advento do Plano Real, o país viveu um período de relativa estabilidade dos preços. Nos últimos anos é que o comportamento começou a fugir à regra e desobedecer as metas estabelecidas na política econômica.

Custo de vida bateu recorde em Santa Maria em 2015

Em 2015 e neste início de 2016, a inflação acelerada pela crise econômica no país e pelos gastos do governo tem resultado em novos recordes que preocupam empresários, consumidores e também os responsáveis por manter a economia nos trilhos. É o que economistas têm chamado de “a maldição dos 13”, quer dizer, há 13 anos não se tinha uma inflação anual tão alta, um câmbio tão desvalorizado para o real e um saldo tão baixo na poupança dos brasileiros.

Embora as previsões mostrem que 2016 não deverá repetir os quase 11% de alta generalizada de preços e apontem para 2017 uma retomada no crescimento e na estabilização, a população vem perdendo poder de compra gradativamente, especialmente aquelas pessoas com faixa de renda mais baixa.

Pãozinho ficou 15% mais caro em Santa Maria em um ano 

Isso ocorre porque a inflação dos alimentos têm sido muito superior à inflação geral. De junho de 2006 a dezembro de 2015, os alimentos subiram, em média, 142% em Santa Maria, enquanto a alta geral do custo de vida, medida pelo Centro Universitário Franciscano (Unifra), foi de 86% no mesmo período.

O prejuízo é maior para os mais pobres porque é a parcela da população que gasta mais, proporcionalmente, para se alimentar do que para outros gastos, como lazer.

Inflação atinge 1,27% em janeiro, maior taxa para o mês desde 2003

– Tenho visto os preços subindo muito. Não tem como escapar, então tento garantir a qualidade e comprar produtos mais naturais, que acabam custando menos do que os industrializados – afirma a estudante Priscila Pacheco, 19 anos.

Custos mais altos

Comerciantes, que têm um custo cada vez maior com luz, combustíveis e mão de obra, acabam repassando rapidamente ao consumidor, e notam a trajetória dos preços:

– Os alimentos oscilam muito, e o tomate é o campeão. Tem semanas em que na segunda eu compro uma caixa por R$ 35 e na quinta, por R$ 80. É a oferta e a demanda, o clima, várias coisas influenciam – diz o dono da fruteira Fruta Mania, Claiton Colpo.

Mercado projeta mais inflação e queda maior do PIB em 2016

A oscilação no valor dos alimentos é considerada sazonal por economistas, já que a estação do ano e o regime das chuvas afetam a oferta dos produtos. Porém, o que se vê, nos últimos anos, é que a alta nos meses de entressafra não tem sido compensada na época da colheita, gerando uma inflação acumulada.

Tanto no país quanto em Santa Maria, os alimentos subiram bem acima da média geral da inflação nos últimos anos:

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